release

Macunaíma Ópera Tupi

álbum

Lançado pelo selo SESC em  agosto de 2008, o disco Macunaíma Ópera Tupi, ou Macunaó.peraí.matupi foi produzido através do Programa Petrobras Cultural. São 14 faixas, todas composições de minha autoria, feitas exclusivamente com trechos do livro Macunaíma – o herói sem nenhum caráter, obra prima de Mário de Andrade. Talentos de diferentes gerações e vertentes musicais participaram das gravações: Siba e a Fuloresta,  Moreno Veloso, Benjamin Taubkin, Beto Villares, Alexandre Basa, Kassin, M.Takara, Daniel Ganjaman, Quincas Moreira, Buguinha Dub, Tom Zé, Arrigo Barnabé, Dante Ozetti, Barbatuques, Simone Soul, Tetê Espíndola, Alzira E, Toca Ogã, Bocato, Funk Buia, Guisado, Andréia Dias, entre outros, numa trama que concede ao álbum contemporaneidade e universalidade. Na arte gráfica, o primoroso trabalho feito por Valentina Trajano e Jorge Du Peixe (Arteria Designe) confluiu com a proposta sonora, enriquecendo ainda mais o produto final.


obra original

Macunaíma Ópera Tupi, nasceu de um estudo de Macunaíma  durante curso de literatura da faculdade de letras da USP, quando identifiquei a musicalidade latente neste clássico fundamental  da literatura brasileira. Mais que uma colagem de lendas, mitos e rituais indígenas, com temperos africanos e portugueses, a obra é uma leitura da própria formação da cultura brasileira.
Na tentativa de encaixar a narrativa em uma classificação literária, foi lhe conferido o termo “rapsódia” que, para o autor, “remetia diretamente às fantasias instrumentais que utilizavam temas e processos de composição improvisada, tirados de cantos tradicionais ou populares”. Portanto, Macunaíma sempre esteve recheado de canções e de musicalidade. Tendo sido já recriado em teatro e cinema, até então não tinha tido um trabalho exclusivamente sobre seu  veio musical. Sendo a música o mais orgânico veículo de expressão e continuidade da tradição popular oral, Macunaíma é “a ópera tupi”, uma odisséia modernista que, pela própria estética do modernismo de quebrar com as fórmulas pré estabelecidas, não se apresenta no esquema de métrica e rima pressuposto pelas tradicionais epopéias. No final do livro está a prova irrefutável: “Me acocorei em riba destas folhas, catei meus carrapatos, ponteei na violinha e em toque rasgado botei a boca no mundo cantando na fala impura as frases e os casos de Macunaíma, herói da nossa gente”.

obra social

Por consequência da importância da obra original, a leitura musical produzida, além de apresentar expressão estética singular, estende-se ao âmbito da educação, podendo assumir caráter didático se usada como estudo complementar do livro. Com esse fim, algumas centenas de exemplares do disco foram distribuídas em escolas em secretarias de educação e cultura de vários estados, fundações de Cultura, Pontos de Cultura, bibliotecas, centro de formação de professores, e ONGs – muito além da contrapartida social obrigatória de qualquer projeto realizado através de  incentivo fiscal – já que um grande agente motivador para a realização do projeto foi justamente o  fato de saber que algumas músicas, desde 2003, já estavam sendo usadas em aulas sobre o tema referido.


Macunaópera – o show

Para apresentação do trabalho ao vivo no show de lançamento, tive a satisfação de poder contar com Curumin (bateria, samples e vocais), Karina Buhr (percussão e vocais), Du Moreira (sintetizadores),  Guilherme Held (guitarra), Daniel Gralha (trompete e fluguelhorn), Paulo Henrique (trombone). Com esses artistas e músicos, eu pude, mais uma vez de forma antropofágica, adaptar os arranjos do álbum para o palco e fazer a releitura da leitura musical.

O projeto, que desde o início promove o encontro de linguagens artísticas múltiplas, como a música e a literatura, que resultaram nas canções do disco, levou ao palco novas associações: a direção de arte e cenografia ficaram por conta de Gert Seewald; colaboração de cenografia e figurinos de Nani Brisque; Cia. Abiyeyê, de Irineu Nogueira, trouxe a dança; video arte por Pixelbanana, contando com desenhos de Tulipa Ruiz; a concepção de luz ficou por conta de Fernanda Carvalho; e a engenharia de som por Gustavo Lenza.

MacunaÓpera estreou junto com o lançamento do disco, em agosto de 2008 no Teatro do SESC Vila Mariana. A partir disso, o espetáculo (em diferentes formações) circulou pela capital e interior paulista. Contemplado por editais e projetos do estado e prefeitura como por exemplo Circuito Cultural, Virada Paulista e Virada Cultural, foram mais de 30 shows em diferentes formações, realizados em SESCs, casas noturnas e demais estabelecimentos, além do especial convite para abertura da Teia Cultural 2008, no Teatro Nacional, em Brasília.


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